domingo, 21 de janeiro de 2018

Filosofia - John Locke - Filosofia política


A filosofia política de Locke fundamenta-se na noção de governo consentido, pelos governados, da autoridade constituída e o respeito ao direito natural do ser humano - à vida, à liberdade e à propriedade. Influencia, portanto, as modernas revoluções liberais: Revolução Inglesa, Revolução Americana e a fase inicial da Revolução Francesa, oferecendo-lhes uma justificação da revolução e da forma do novo governo. Locke costuma ser incluído entre os empiristas britânicos, ao lado de David Hume e George Berkeley, principalmente por sua obra relativa a questões epistemológicas. Em ciência política, costuma ser classificado na escola do direito natural ou jusnaturalismo.

Suas ideias ajudaram a derrubar o absolutismo na Inglaterra. Locke dizia que todos os homens, ao nascer, tinham direitos naturais - direito à vida, à liberdade e à propriedade. Para garantir esses direitos naturais, os homens haviam criado governos. Se esses governos, contudo, não respeitassem a vida, a liberdade e a propriedade, o povo tinha o direito de se revoltar contra eles. A falha do Estado de Natureza levam à tal invasão da propriedade e, devido a tal, cria-se um contrato social para que haja transição do Estado de Natureza à Sociedade Política. As pessoas podiam contestar um governo injusto e não eram obrigadas a aceitar suas decisões. Locke ainda diz que se o governo viola ou deixa de garantir o direito dos indivíduos à propriedade o povo tem o direito a resistência ao governo tirano. O que define a tirania é o exercício do poder para além do direito, visando o interesse e não o bem público ou comum.

Outra constante na obra de Locke é do papel dos poderes na organização do Estado, sendo o legislativo o poder supremo, sobrepondo-se ao executivo e federativo. Assim, há no Estado um poder limitado, pois quando esses órgãos criados pelo consentimento do povo falha no atendimento dos fins a que foram concebidos perdem a razão de ser, dando aos cidadãos o direito de revolução. Locke apresenta ainda o trabalho como o fundamento originário da propriedade, tendo o seu valor corrompido com a introdução do ouro e do comércio, gerando a distribuição desproporcional das riquezas entre os homens.

O contrato social, embora não se trate de um contrato físico histórico, como acontece com qualquer contrato, consistiria na transferência de poder dos indivíduos carecidos de proteção para um conjunto de instituições artificiais e avantajada de meios para punir os que violam a obediência a essas mesmas instituições. De forma generalizada, o contrato social é a relação entre o povo e seu governante.

Há alguns pontos de contato entre o pensamento lockiano e hobbesiano. Primeiro na condição natural em que o homem vivia inicialmente e na sua passagem para organização social através do contrato social. Porém, distingue-se por caracterizar esse estado natural do homem como pacífico, sendo o homem nele plenamente livre. Enquanto Hobbes coloca o medo da morte violenta como fonte da organização dos homens, Locke impõe a defesa da propriedade como principal fonte de formação do Estado. Esta propriedade já existia anteriormente à formação do Estado.

Dedicou-se também à filosofia política. No Primeiro Tratado sobre o Governo Civil, critica a tradição que afirmava o direito divino dos reis, declarando que a vida política é uma invenção humana, completamente independente das questões divinas. No Segundo Tratado sobre o Governo Civil, expõe sua teoria do Estado liberal e a propriedade privada, onde ele caracteriza a propriedade privada como tudo a que você atribui um valor e tenha conquistado por direito. É algo legítimo e todo indivíduo tem direito a tais conquistas, e assim como Locke sugeriu, o Estado teria uma função primordial de proteger esses direitos.

Para Bernard Cottret, biógrafo de João Calvino, contrastando com a história trágica da brutal repressão aos protestantes na França no século XVI e a própria intolerância e zelo religioso radical de Calvino em Genebra, o nome de John Locke está intimamente associado à tolerância. Uma tolerância que os franceses aprenderam a valorizar apenas na década de 1680, quase às portas do Iluminismo. Como Voltaire afirmou, a tolerância é, para os franceses, um artigo de importação. Bernard Cottret afirma: A tolerância é o produto de um espaço geográfico específico, nomeadamente o noroeste da Europa. Ou seja: a Inglaterra e os Países Baixos. E ela é, no final, em especial, a obra de um homem - John Locke - a quem o século XVII dedica um culto permanente.

Dentre os escritos políticos, a obra mais influente de Locke foi Dois Tratados sobre o Governo (1689). O Primeiro Tratado é um ataque ao patriarcalismo, e o segundo introduz uma teoria da sociedade política ou sociedade civil baseada nos direitos naturais e no contrato social. Segundo Locke, todos são iguais, e a cada um deverá ser permitido agir livremente desde que não prejudique nenhum outro. Com este fundamento, deu continuidade à justificação clássica da propriedade privada, ao declarar que o mundo natural é a propriedade comum de todos, mas que qualquer indivíduo pode apropriar-se de uma parte dele, ao acrescentar seu trabalho aos recursos naturais. Este tratado também introduziu a chamada "cláusula lockeana ", que resume a teoria da propriedade-trabalho de John Locke: os indivíduos têm direito de se apropriar da terra em que trabalham desde isso não cause prejuízo aos demais. O direito de se apropriar privadamente de parte da terra comum a todos seria pois limitado pela consideração de que ainda houvesse bastante [terra] igualmente boa e mais do que aqueles ainda não providos pudessem usar.  Em outras palavras, que o indivíduo não pode simplesmente apropriar-se dos recursos naturais mas também tem que considerar o bem comum.

No âmbito das Relações Internacionais, Locke aponta que estas fazem parte do estado de natureza, mas isso não quer dizer que há uma falta de legalidade (deveres e direitos) entre as comunidades políticas no cenário internacional. Sendo assim, o poder de fazer guerra não é sem restrições, obedecendo às diretrizes da política interna, que trata dos interesses locais dos cidadãos, quanto à Lei Natural, caracterizada pela garantia da preservação da comunidade civil e da humanidade.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Filosofia - John Locke - Biografia


Locke estudou medicina, ciências naturais e filosofia em Oxford, principalmente as obras de Bacon e Descartes. Em 1683, refugiou-se nos Países Baixos ao ser acusado de traição junto ao seu mentor politico o lorde Shaftesbury que era líder da oposição ao rei Carlos II no parlamento. Voltou à Inglaterra quando Guilherme de Orange subiu ao trono, em 1688. Em 1689-1690 publicou as suas primeiras obras: cartas sobre a tolerância, ensaio sobre o entendimento humano, e os dois tratados sobre o governo civil. Faleceu em 28 de outubro de 1704, com 72 anos.

Locke nunca se casou ou teve filhos. Encontra-se sepultado em All Saints Churchyard, High Laver, Essex na Inglaterra.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Filosofia - John Locke


John Locke (Wrington, 29 de agosto de 1632 — Harlow, 28 de outubro de 1704) foi um filósofo inglês conhecido como o "pai do liberalismo", sendo considerado o principal representante do empirismo britânico e um dos principais teóricos do contrato social.

Locke ficou conhecido como o fundador do empirismo, além de defender a liberdade e a tolerância religiosa. Como filósofo, pregou a teoria da tábua rasa, segundo a qual a mente humana era como uma folha em branco, que se preenchia apenas com a experiência. Essa teoria é uma crítica à doutrina das ideias inatas de Platão, segundo a qual princípios e noções são inerentes ao conhecimento humano e existem independentemente da experiência.

Locke escreveu o Ensaio acerca do Entendimento Humano, onde desenvolve sua teoria sobre a origem e a natureza do conhecimento.

Um dos objetivos de Locke é a reafirmação da necessidade do Estado e do contrato social e outras bases. Opondo-se à Hobbes, Locke acreditava que se tratando de Estado-natureza, os homens não vivem de forma bárbara ou primitiva. Para ele, há uma vida pacífica explicada pelo reconhecimento dos homens por serem livres e iguais.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Filosofia - George Berkeley - Principais obras


-Comentários Filosóficos (escritos de 1705 a 1708),in: Obras Filosóficas. Trad. Jaimir Conte. São Paulo: Editora da UNESP, 2010.
-Um ensaio para uma nova teoria da visão (1709), tradução de José Oscar de Almeida Marques
-Tratado sobre os princípios do conhecimento humano (1710) in: Obras Filosóficas. Trad. Jaimir Conte. São Paulo: Editora da UNESP, 2010.
-Três diálogos entre Hylas e Philonous (1713) in: Obras Filosóficas. Trad. Jaimir Conte. São Paulo: Editora da UNESP, 2010.
-De Motu(1721)Sobre o movimento ou sobre o princípio, a natureza e a causa da comunicação dos movimentos], tradução de Marcos Rodrigues da Silva
-"Um Ensaio para uma Nova Teoria da Visão" e "A Teoria da Visão Confirmada e Explicada", George Berkeley
-O Analista: ou um discurso dirigido a um matemático infiel (1734): Traduzido do original em inglês por Alex Calazans e Eduardo Salles de Oliveira Barra
-O questionador
-Siris (1744)

domingo, 17 de dezembro de 2017

Filosofia - George Berkeley - Cronologia


A maior contribuição do cientista para a Física e o estudo do corpo humano foi o entendimento da visão associado a elementos sensitivos.

Assim como a percepção de distância, tamanho e coordenadas dos objetos, o livro Um ensaio para a nova teoria da visão, situa-se em tese central que a compreensão de análise de variados objetos não é controlada apenas pela visão, mas sim com forte participação de outro sentido, como o tato.

A visualização dos objetos se baseia, em adaptações nas sensações nos movimentos oculares, porém as ideias de distância, grandeza e posição dos objetos, são proporcionadas pelo tato. Para Berkeley, o principio básico da visão é realmente apenas a percepção da luz e das cores. Distância, grandeza e posição são provocadas pelos próprios movimentos oculares, que assumiriam papéis de sinais, que seriam compreendidos pela visão.

A contribuição maior de Berkeley para o estudo posterior da física aplicada ao corpo humano, é o entendimento dos músculos oculares, assim aplicado ao estudo da ótica, possibilitando a compreensão e análise de lentes e patologias associadas a visão.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Filosofia - George Berkeley - Cronologia

1685. Nasce George Berkeley, no dia 12 de março, em Kilkenny, na Irlanda, no Castelo de Dysart, próximo a Thomastown.
1696. Berkeley vai para o Kilkenny College.
1700. Ingressa no Trinity College, de Dublin.
1702. É eleito Scholar.
1704. Recebe o título de Bacharel em Artes (B.A.), no Trinity College.
1707. Recebe o título de Mestre em Artes (M.A.); é eleito fellow do Trinity College; desenvolve a filosofia imaterialista, parcialmente registrada em dois cadernos de anotações, conhecidos atualmente como Comentários filosóficos; publica dois breves tratados matemáticos, intitulados Arithmetica e Miscellanea Mathematica.
1708. Profere, em 11 de janeiro, um sermão sobre a imortalidade; redige a primeira versão da Introdução (manuscrita) do Tratado sobre os princípios do conhecimento humano.
1709. Publica Um ensaio para uma nova teoria da visão.
1710. Publica Tratado sobre os princípios do conhecimento humano; ordena-se padre.
1712. Publica Discurso sobre a obediência passiva, previamente apresentado na forma de três sermões.
1713. É apresentado à Corte Inglesa por Jonathan Swift, autor da obra Viagens de Gulliver, e logo se torna um favorito da Corte; publica, em Londres, Três diálogos entre Hylas e Philonous; faz sua primeira viagem pelo continente europeu; visita Paris e Lyon, dentre outras cidades.
1716. Como acompanhante de viagem de George Ashe (1658-1718), bispo de Clogher e amigo de Swift, faz um grande tour pela Europa; visita Paris, Roma, Turim, Nápoles, dentre outras cidades.
1717. Escreve uma carta sobre a erupção do Monte Vesúvio; mantém um diário sobre sua viagem à Itália.
1720. Retorna a Londres.
1721. Recebe o título de Bacharel em Teologia (B.D.) e o de Doutor em Teologia (D.D.); publica De Motu; Essay on the Ruine of Great Britain.
1722. Resolve criar um colégio nas Bermudas; é indicado para Deão de Dromore.
1724. Nomeado Deão de Derry; delega seu cargo e usa sua renda para sustentar o Projeto Bermudas; publica An Proposal for the Better Supplying of Churches in our Foreign Plantations, and for converting the Savage Americans to Christianity, o anúncio público do Projeto Bermudas.
1726. O Parlamento aprova, e o tesouro promete, uma subvenção de £20.000 para o Projeto Bermudas.
1728. Em agosto, casa-se com Anne Forster; em setembro, depois de quatro anos de preparação para o novo colégio, viaja para a América do Norte; desembarca em Virgínia.
1729. Em Newport, Rhode Island (EUA), compra uma propriedade para o colégio.
1730. Espera a subvenção do Tesouro; pronuncia sermões; escreve Alciphron.
1731. Fica sabendo que a subvenção não será paga; retorna a Londres.
1732. Publica Alciphron, or The Minute Philosopher, obra em sete diálogos “contendo uma apologia a favor da religião cristã contra os assim chamados livre-pensadores”.
1733. Publica A teoria da visão confirmada e explicada.
1734. É consagrado bispo de Cloyone, onde serve sua diocese durante quase vinte anos; publica O analista.
1735. Publica A Defence of Free-thinking in Mathematics e a primeira parte de The Querist, uma obra que examina as razões das péssimas condições econômicas na Irlanda.
1736. Publica a segunda parte de The Querist.
1737. Publica a terceira parte de The Querist; em Dublin, toma posse na Casa dos Lordes.
1738. Discourse Addressed to Magistrates.
1744. Publica Siris: a Chain of Philosophical Reflections and Inquiries concerning the Virtues of Tar-water, and divers other subjects, obra que contém uma discussão dos valores medicinais da água de alcatrão e faz uma exposição sobre a natureza metafísica do universo físico e espiritual assim como de Deus.
1749. Publica Word to the Wise.
1751. Morre William, seu filho mais velho.
1752. Deixa Cloyne e vai para Oxford com sua família, onde estuda seu filho George. Publica Miscellany e a última edição de Alciphron.
1753. Morre em Oxford, no dia 14 de janeiro; é enterrado na nave da Christ Church, de Oxford.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Filosofia - George Berkeley - Filosofia imaterialista


Berkeley aceita o empirismo de Locke mas não admite a passagem dos conhecimentos fornecidos pelos dados da experiência para o conceito abstrato de substância material. Por isso, e assumindo o mais radical empirismo, Berkeley afirma que uma substância material não pode ser conhecida em si mesma. O que se conhece, na verdade, resume-se às qualidades reveladas durante o processo perceptivo. Assim, o que existe realmente nada mais é que um feixe de sensações e é por isso que Esse est percibi - ser é ser percebido. O que está em xeque não é a negação do mundo exterior, mas sim o conceito fundamental, desde Descartes, de uma ideia de matéria como constituinte de tudo o que é e que fosse diferente da substância pensante. Para fugir do subjetivismo individualista (pois tudo que existe somente existiria para a mente individual de cada indivíduo), Berkeley postula a existência de uma mente cósmica que seria universal e superior à mente dos homens individuais. Deus é essa mente e tudo o mais seria percebido por Ele (de modo que a existência do mundo exterior à mente individual e subjetiva do homem, estaria garantida)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Filosofia - George Berkeley


George Berkeley (Condado de Kilkenny, 12 de março de 1685 - Oxford, a 14 de janeiro de 1753) foi um filósofo idealista irlandês.

Estudou no Trinity College de Dublin, onde se tornou fellow em 1707. Lecionou hebraico, grego e teologia. Por esta época, dedicou-se ao estudo sistemático da filosofia (em especial John Locke, Isaac Newton e Malebranche).

Dois anos mais tarde, publicou seu primeiro livro importante: Ensaio para uma nova teoria da visão. Em 1710, apresentou seu princípio de que ser é ser percebido (esse est percipi) na primeira parte da obra Tratado sobre os princípios do conhecimento humano. Em 1712 publicou Três diálogos entre Hilas e Filonous a fim de melhor explicar as concepções propostas na obra anterior.

Ao mesmo tempo, Berkeley era ministro da Igreja Anglicana e, em Londres, escreveu uma série de artigos no jornal The Guardian contra os livre-pensadores. Em 1713 abandona essa atividade e torna-se preceptor de jovens ingleses que desejavam conhecer a Itália. Viajou para lá, onde permaneceu até 1721. Nesse período, perdeu o manuscrito da segunda parte dos Princípios, que jamais voltaria a escrever. Após este período, ele encontrou diversos outros filósofos dos quais ele viria à criticar algumas posições mais tarde, como Ian Neheelson.

Em seguida, atirou-se à polémica religiosa, atribuindo todos os males de seu país à incredulidade. Pensando em remediá-los, tornou-se missionário e foi para as Bermudas, onde ficou três anos. Nessa viagem pelo novo mundo, escreveu o Alciphron em 1732.

De volta a Londres, escreveu O analista entre 1732 e 1734. Nesta obra, criticava o cálculo diferencial e integral de Newton. Também escreveu Uma defesa do livre pensamento em matemática. Ainda em 1734, é nomeado bispo de Cloyne, na Irlanda. Durante a fome e a epidemia de peste, que ocorreram entre 1737 e 1741, Berkeley devotou-se aos doentes, tentando curá-los com água de alcatrão. Sobre o tema, escreveu uma obra chamada Siris, em 1744. Também por esta época escreveu O questionador, onde reflete sobre questões económicas e sociais.

Em 1752, já velho e doente, Berkeley renunciou ao episcopado e se retirou para Oxford, onde veio a morrer.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Filosofia - A filosofia natural e moral de Thomas Hobbes


Influenciado por grandes nomes como Francis Bacon e Galileu Galilei, Hobbes refutou a metafísica e buscou a causa e a propriedade das coisas. Assim, o ponto de partida da filosofia de Thomas Hobbes se dá com a física: ele acreditava que a filosofia é a ciência dos corpos, ou seja, tudo possui existência material, e, os corpos se dividiriam em corpos naturais (filosofia natural) e corpos artificiais (filosofia política). Dentre as principais características de seu empirismo, estão o materialismo (concepção de que tudo possui existência material, desprezando, portanto, a existência de seres imateriais) e o mecanicismo (concepção em que os fenómenos são explicados por causas mecânicas, ou seja, força e movimento), sendo estas ideias inerciais e antiteológicas.

Em seus livros "Os elementos da lei" e "Leviatã", Hobbes torna evidente o uso da física e suas leis mecânicas como base para explicar fenómenos psíquicos e físicos, chegando até mesmo a comparar o homem com uma máquina, além de fazer analogia à mecânica do homem e à mecânica do relógio: "O que é o coração, senão uma mola; os nervos, senão outras tantas cordas; e as juntas senão outras tantas rodas; imprimindo movimento ao corpo inteiro, tal como foi projetado pelo Artífice?"Porém é apenas em seu livro "De Corpore" que Thomas Hobbes demonstra-nos de forma total e estruturada o conhecimento mecânico da natureza, conhecimento este que se mostra consolidado apenas em "Tractatus opticus"

Com isso, Hobbes conclui que o homem tende naturalmente a continuar em movimento, isto é, o valor primordial para cada indivíduo seria a conservação da vida, o crescimento e a afirmação de si mesmo. Assim, a explicação mecanicista que Hobbes dá ao processo de formação das escolhas, paixões e ações humanas fundamenta sua tese para o desejo de poder humano.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Filosofia - Thomas Hobbes


Hobbes alegou, em sua autobiografia, que "ao nascer, sua mãe teria dado a luz a gémeos: Hobbes e o medo", já que a mãe de Hobbes havia entrado em trabalho de parto prematuro com medo da Armada Espanhola (a Invencível Armada), que estava prestes a atacar a Inglaterra. Embora os temas do medo e do seu poder avassalador fossem aparecer mais tarde em suas obras, os primeiros anos de vida de Hobbes foram, em grande parte, livres de ansiedade. Seu pai era o vigário de Charlton e Westport, cidades próximas de Malmesbury, mas uma disputa com outro vigário o levou a se mudar para Londres. Como resultado, aos sete anos de idade, Thomas Hobbes ficou sob a tutela de seu tio Francisco. Hobbes fez seus primeiros estudos em Malmesbury e mais tarde em Westport, onde exibiu seus dotes intelectuais em estudos clássicos. Aos quatorze anos, em 1603, seu tio Francisco financiou os seus estudos, permitindo que Hobbes entrasse na Magdalen Hall, onde predominava o ensino da escolástica de inspiração aristotélica, no qual Hobbes, no entanto, não demonstrou grande interesse.

Em 1610, ele empreendeu uma viagem à Europa acompanhando William Cavendish, indo para França, Itália e Alemanha. Pôde, então, observar, em primeira mão, a pouca apreciação da escolástica na época - que já estava em claro declínio. As muitas tentativas de abrir portas para o desenvolvimento de outros conhecimentos fez com que ele decidisse retornar à Inglaterra para aprofundar o estudo dos clássicos. Nesse período, já de volta à Inglaterra, suas relações com Francis Bacon irão reforçar a linha de seu próprio pensamento, bem fora do aristotelismo e da escolástica.

Em 1631, a família de nobres ingleses Cavendish novamente pede seus serviços como guardião do terceiro Duque de Devonshire, e Hobbes irá ocupar este cargo até 1642. Durante este período, faz outra viagem ao continente, lá permanecendo de 1634 a 1637. Na França, entra em contato com o círculo intelectual do padre Mersenne, mentor de Descartes. Em geral, Hobbes era a favor da explicação mecanicista do universo (que predominava na época), em oposição à teleológica defendida por Aristóteles e a escolástica. Também teve a oportunidade de conhecer Galileu durante uma viagem à Itália em 1636 (6 anos antes de Galileu morrer), sob cuja influência Hobbes desenvolveu a sua filosofia social, baseando-se nos princípios da geometria e ciências naturais.

Em 1640, teve a possibilidade de apresentar suas teorias mais uma vez quando foi recebido por um círculo de intelectuais franceses.

Em 1646, ainda em Paris, vira professor de matemática do Príncipe de Gales, o futuro Carlos II, que também se encontrava exilado em Paris devido à Guerra Civil Inglesa. Em 1651, dois anos após a decapitação do rei Carlos I, Hobbes decide voltar para a Inglaterra com o fim da Guerra Civil e o começo da "Ditadura de Cromwell". Neste ano, também publica "Leviatã", que provoca o início de sua disputa com John Bramhall, bispo de Derry, o principal acusador de Hobbes como sendo um "materialista ateu".

A publicação do De Corpore em 1665 irá resultar em uma polêmica com os principais membros da Royal Society, que criticaram suas contribuições para a matemática bem como as posições ateístas defendidas por Hobbes. Na Inglaterra, o "anti-Hobbismo" atingiu um pico em 1666 quando seus livros foram queimados na sua alma mater, Oxford.

Hobbes manteve-se um escritor extremamente produtivo na velhice, mesmo sendo prejudicado pela oposição generalizada a seu trabalho. Viveu até os 91 anos durante uma época em que a expectativa média de vida não era muito mais do que quarenta anos. Aos 80 anos, Hobbes produziu novas traduções para o inglês tanto da Ilíada quanto da Odisseia e escreveu, em 1672, uma autobiografia em latim. Apesar da polémica que causou, ele foi uma espécie de símbolo na Inglaterra até o final de sua vida. Seu ponto de vista pode ser considerado abominável ou atraente; suas teorias brilhantemente articuladas são lidas por pessoas de todos os espectros políticos.

Encontra-se sepultado na Igreja de São João Batista, em Ault Hucknall, em Derbyshire, na Inglaterra.
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